Cheque e mate

Agosto 31, 2009 - 2 Respostas

Por Paulo Renato Souza Cunha

Pode ser que o futuro da sociedade esteja deitado numa placa de silício cheia de buraquinhos e células autônomas. Robôs com vida própria, babás de alumínio e animais programados para não fazer pipi no sofá preferido da mamãe.

Ninguém sabe ao certo quando este dia, enfim, chegará. Contudo, é provável que os professores de um amanhã bem próximo façam apresentações no mínimo curiosas: “Bom dia, alunos. Nasci no laboratório B-5, prédio 3 da Nasa. Ala Norte. Abram o laptop no aplicativo 14, por obséquio.”

Que medo, dirão alguns.

A primeira ousadia dos cabeças de monitores foi desafiar o maior jogador de xadrez de todos os tempos, o russo Garry Kasparov. A torre do Deep Blue da IBM sentou-se à mesa no dia 10 de fevereiro de 1996. A batalha durou uma semana e o campeão de carne e osso acabou levando a melhor – 4 a 2.

Mas, espera lá… Quem é esse tal de Kasparov?

Kasparov sagrou-se o competidor mais jovem a vencer um torneio mundial de xadrez, em 1985. Com apenas 22 anos, o gênio dos tabuleiros derrotou Anatoly Karpov numa partida emocionante. Se é que podemos considerar qualquer coisa relacionada ao xadrez emocionante.

Voltemos para a partida contra o HD. À primeira vista, Deep Blue era um bloco desengonçado sem qualquer tipo de simpatia. Inteligente, certo. Mas sem qualquer tipo de simpatia. Fazia milhares de cálculos por segundo e encheu os engenheiros da IBM de esperança.

Feng-hsiung Hsu, principal coordenador do projeto, chegou a dizer minutos antes do jogo: “Entraremos para a história. Deep Blue será o primeiro computador a derrotar um campeão mundial.”

Como você leu ali em cima, Kasparov não deu nenhuma chance ao bichano eletrônico. “Por que eu ganhei? Bom, ele pensava como uma máquina e eu como… Eu pensei como humano.” De fato, quem gosta de xadrez sabe que computadores têm fórmula previsível de mexer as peças.

Aos humanos, foi alívio e tanto. Mas a IBM mostrou-se disposta a não vender barata aquela derrota. Afinal, muita grana estava envolvida no projeto do Deep Blue. Pediram revanche. Kasparov, confiante, aceitou.

Grupo de não sei quantos japoneses foi contratado para aperfeiçoar o derrotado e tirá-lo da lona. Em matéria de tecnologia, ninguém pode duvidar dos orientais, porém, alguma coisa muito esquisita aconteceu. Inexplicável para alguns, choro de perdedor para outros. Tire suas próprias conclusões.

No dia 11 de maio de 1997 lá estavam os dois de novo. Logo no primeiro confronto, Kasparov reclamou dos movimentos do Deep Blue. “Não sei se vocês perceberam, mas não estou jogando com uma máquina qualquer. Gostaria de estudar o histórico dela…” A IBM se recusou a ceder o documento ao russo e, obviamente, ele não ficou nada contente.

O confronto terminou 3½ a 2½. Vitória do Deep Blue e bilhões de verdinhas aos cofres da IBM. Para Kasparov, havia grupo de jogadores profissionais ajudando o computador a decidir os movimentos mais elaborados. Ele até propôs que técnicos analisassem a estrutura elétrica em busca de possíveis fraudes. Novamente, pedido recusado.

No dia seguinte, o campeão mundial pediu revanche. Disse que a desconfiança teria tirado a concentração e, por isso, perdera a partida. A resposta da IBM? “Você nunca mais verá a cor do Deep Blue, camarada, volte pra casa.”

Lamaior - Garry Kasparov

O que há com a nossa mala?

Agosto 30, 2009 - 2 Respostas

Por Paulo Renato Souza Cunha

Gente acha o máximo poder ir pra lá e pra cá, de carro, ônibus, navio, avião… É realmente bacana. Mas poucas pessoas se dão conta de que o tal mundo sem fronteiras pode ser deveras perigoso. Bom tomarmos cuidado.

Capaz de já ter lido sobre alienígenas invadindo o Pentágono. Sujeitos esverdeados a devorar tudo o que vêem pela frente. Mocinhas nervosas choram na sala quando criatura bestial captura herói da série. Geralmente, rapaz de muito anseio e rosto atraente aos olhos femininos.

Esqueça isso. Nada de marciano. Cientistas, de aqui mesmo da Terra, descobriram que os verdadeiros corpos adventícios podem viver na nossa própria casa. Antes que levante do computador em busca deles, tome um copinho de chá e acalme-se.

A indústria global de transportação representa risco eminente à biosfera. E por quê?! Se leitor é pessoa romântica, provavelmente já quis presentear cônjuge com plantas exóticas. Ou, talvez, com algum animalzinho bizarro dos confins africanos.

Tudo muito bonito até percebemos a ameaça de tal prática em larga escala. Os resultados estão por toda parte.

Por exemplo. Navio cargueiro sai da Noruega. Vamos supor que o destino final seja o porto de Santos-SP. Embarcações deste porte precisam de muita água nos cascos para balanceamento. Ao encher caçamba, além do líquido oceânico, peixes e enumeras outras espécies pegarão carona no gigante metalífero.

Ao chegar à costa brasileira, navio norueguês troca água e os turistas nadadores passam a fazer parte de ecossistema completamente estranho. Uma simples viagem como essa não faria tanta diferença, certo?! Porém, milhares de cargueiros estacionam no porto santista todos os anos. “Alcântara, temos um problema.”

Tornou-se corriqueiro. Plantas e animais em habitats que não lhes pertencem. Viajam no pássaro de metal, nos veículos automotivos e até na mochila dos excursionistas. As conseqüências são devastadoras e podem ser irreversíveis.

Paradoxalmente, o sistema que faz o mundo moderno funcionar em alta velocidade pode nos destruir antes mesmo de atingirmos nossos objetivos tecnológicos. Sejam eles quais forem.


SAIBA MAIS

Strange days on planet Earth (Dias estranhos no planeta Terra), documentário produzido pela National Geographic. Indispensável aos que querem entender sobre as imigrações perigosas.

Lamaior - nossa mala